Segundo representantes da Federação da Agricultura e Pecuária, o turismo rural tem registrado crescimento e se consolidado como uma alternativa econômica relevante no interior do país. A busca por experiências ligadas ao café, aos queijos artesanais, à cachaça, às fazendas históricas e ao contato com a natureza tem atraído cada vez mais visitantes para propriedades rurais, especialmente em estados com forte identidade agrícola, como São Paulo e Minas Gerais.
Esse movimento é confirmado por pesquisas do setor. A segunda edição do estudo “Demanda Turismo Rural”, divulgado pelo Ministério do Turismo em parceria com a SPRINT Dados e a Rede Turismo Rural Consciente, mostra que Minas Gerais lidera a preferência entre os estados mais procurados para esse tipo de visitação e São Paulo também aparece entre os destinos mais citados, reforçando o protagonismo da região Sudeste no segmento.
Em São Paulo, a diversidade de paisagens, produtos e tradições têm favorecido a expansão das rotas rurais em diferentes regiões do estado. O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), Tirso Meirelles, destaca que o turismo rural vai além do lazer e permite aproximar o público urbano da realidade do campo. “O turismo rural é a oportunidade de mostrar à população urbana os saberes e sabores do campo”, afirma.
Minas Gerais segue o mesmo caminho, impulsionada pela forte presença do agro familiar, pela gastronomia reconhecida nacionalmente e pela preservação de modos de produção tradicionais. O gerente de Formação Profissional Rural e Promoção Social da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (Faemg), Wander Magalhães, explica que a vivência prática é um dos principais atrativos. “São vivenciadas as etapas do trabalho em uma fazenda, com degustação de produtos da propriedade visitada”, diz.
Para o produtor rural, o turismo surge como uma atividade complementar capaz de reduzir a dependência de uma única fonte de renda. Em território paulista, a abertura das propriedades para experiências como colheita, pesca, hospedagem e gastronomia tem se mostrado uma estratégia eficiente. Segundo Meirelles, “o principal benefício é ter uma renda extra”, além de fortalecer a imagem do interior como um espaço dinâmico e com múltiplas possibilidades.
Em Minas Gerais, a diversificação também é vista como essencial, especialmente para pequenos produtores. “O produtor rural mineiro, em específico o pequeno produtor, precisa cada vez mais diversificar a produção”, afirma, destacando o envolvimento das famílias e a importância da gestão para garantir a continuidade das atividades no campo.
Além do impacto econômico, o turismo rural tem contribuído para aproximar o consumidor urbano da realidade da produção de alimentos. O contato direto com o campo amplia a compreensão sobre o trabalho agrícola e os cuidados envolvidos em cada etapa. Para Meirelles, essa vivência muda a percepção do público. “As pessoas passam a entender todo o trabalho de plantar e colher”, observa.
Essa mudança de olhar também é percebida em Minas Gerais, onde a sustentabilidade e a qualidade dos processos produtivos ganham destaque. Magalhães aponta que o papel do agro tem sido cada vez mais reconhecido por quem consome. “O consumidor, cada vez mais, tem entendido a importância do agro para a sociedade”, afirma, ao destacar os esforços dos produtores para garantir segurança alimentar e abastecimento contínuo.
Fonte: Portal Sustentabilidade